16 e 19, essas eram suas respectivas idades quando se viram pela primeira vez.
naquela festa desanimada de colégio,
sem música,
com dois grupos de adolescentes distintos: os quietos e as falantes.
Ele entrou lá com seu jeitinho calado, e depois de um tempinho já fazia piadas.
Tomou uma cerveja ou outra, ela não bebia nada além de guaraná.
Eram dois desconhecidos, mas na despedida o que ficou foi o olhar.
Ela nunca havia sido olhada daquela forma,
talvez ele nunca tivesse visto nada tão pequeno e tão estridente quanto a risada dela.
Talvez fosse o amor a primeira vista, aquele dos filmes de cinema.
Se falaram algumas vezes até o primeiro beijo, inesperado, ou altamente esperado após tantos telefonemas e uma paixão que consumia o dia todo todo o dia
O amor vai crescendo, crescendo:
de eu gosto de você, passa a virar te adoro com jeitinho de "sinto mais";
Ela estava num daqueles casamentos de família, quando se deu conta do que era de verdade.
Amor, daquele tipo pra sempre, que envolve namorar por 10 anos, casar, ter filhos, ter casa na praia e viagem de fim de ano.
Natais em família, ano novo com um beijo à meia noite.
Ela queria tudo.
Ela queria ele.
E queria tudo com ele.
E foi então que ela disse, pela primeira vez, eu te amo.
Quando viu que a necessidade de estar ao lado dele superava a necessidade de viver, e estar com ele era melhor que tudo, e ele era melhor que todos.
As palavras saíram naturalmente, ele repetiu por educação.
E foi a primeira vez em que ela entendeu, que o amor consiste em coisas diferentes pra cada um.
Pra uns signfica viagens de final de semana, pra outros significa ser e estar todo dia.
Pra uns é virar a noite em um barzinho, pra outros é virar a noite conversando, sem se sentir medíocre, ser ouvido; inteiramente.
E foi na divergência do amor que se desencontraram,
pois quando alguém luta demais pelo agora, esquece o passado e o que há de vir.